Marketing médico: como divulgar consultório dentro da Resolução CFM 2.336

Marketing médico dentro da Resolução CFM 2.336/2023: o que identificar em todo anúncio, antes e depois, preço de consulta, Google e Instagram, em tabela.

Por Redação NYX MarketingPublicado em 5 min de leitura

O que a Resolução CFM 2.336/2023 mudou no marketing médico?

A resolução foi publicada no Diário Oficial da União em 13 de setembro de 2023, substituiu a Resolução CFM 1.974/2011 e passou a valer em 11 de março de 2024, segundo as análises jurídicas e o próprio CFM. Ela atualizou a publicidade médica para a realidade das redes sociais.

Na prática, o médico ganhou espaço para ter perfil ativo no Instagram, YouTube e TikTok, divulgar valores de consulta e publicar conteúdo educativo. Continuam valendo os limites de sempre: nada de garantia de resultado, nada de superioridade sobre colegas, nada de sensacionalismo.

O texto oficial está em PDF no site do CFM: Resolução CFM 2.336/2023. Este artigo resume o que a imprensa especializada e escritórios de direito médico apontaram, mas a regra pode mudar e a interpretação final é do seu CRM. Antes de lançar uma campanha, vale confirmar com o conselho regional ou com um advogado da área.

O que não pode faltar em todo anúncio de médico?

Toda peça de divulgação, seja post, anúncio, cartão ou site, precisa trazer a identificação do profissional. Segundo as orientações publicadas a partir da resolução, isso inclui:

  • nome do médico;
  • número do CRM com a sigla do estado (por exemplo, CRM-DF);
  • a palavra "MÉDICO";
  • especialidade ou área de atuação, somente se registrada no CRM, seguida do número do RQE (Registro de Qualificação de Especialista).

Quem tem pós-graduação, mas não tem a especialidade registrada, pode citar a formação acadêmica sem se apresentar como especialista. Esse é um erro comum: o consultório escreve "cardiologista" no perfil sem o RQE e fica irregular.

Para quem trabalha em clínica, o mesmo vale para a pessoa física que aparece na peça. O nome da clínica sozinho não substitui a identificação do médico que aparece ou fala no conteúdo.

Pode mostrar antes e depois e divulgar preço?

Segundo a cobertura de Correio Braziliense, Migalhas e Estratégia MED, a nova resolução permite imagens de antes e depois com caráter educativo, ligadas à especialidade do médico e acompanhadas de explicação didática (indicações, limitações e fatores que influenciam o resultado). A mesma cobertura registra que a divulgação do valor da consulta passou a ser admitida.

Há dois cuidados práticos. O primeiro é a finalidade: uma foto de resultado com frase de venda e botão de agendamento tende a ser lida como promoção, não como conteúdo educativo. O segundo é a imagem do paciente. Dado de saúde é dado pessoal sensível pela Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018), então termo de consentimento por escrito, específico para publicação, é a prática prudente, mesmo que alguma fonte afirme que a autorização seria dispensável. Em caso de dúvida, pergunte ao CRM-DF ou ao conselho do seu estado.

Sobre selfies com pacientes e famosos, depoimentos e respostas a elogios: as fontes divergem em detalhes. Não publique nada desse tipo sem ler o artigo correspondente do texto oficial.

Tabela de conferência: o que costuma passar e o que costuma dar problema

ConteúdoEm geral aceitoCuidado
Post educativo sobre uma doençaLinguagem clara, fonte, identificação do médicoPrometer cura ou "tratamento definitivo"
Vídeo mostrando o consultórioEstrutura, equipamentos, equipeComparar com outros consultórios
Antes e depoisFinalidade educativa, texto explicativo, consentimentoLegenda de venda, retoque de imagem, paciente identificável sem autorização
Valor da consultaInformação clara do preçoPromoção agressiva, "desconto só hoje"
Especialidade no perfilSomente com RQEUsar título sem registro
Depoimento de pacienteConferir o que o texto permiteQualquer sugestão de que o resultado é certo

A tabela é uma triagem, não um parecer. O que vale é o texto da resolução e a orientação do conselho.

Como o paciente encontra o médico no Google?

Quem procura "dermatologista em Águas Claras" ou "ortopedista no Plano Piloto" está perto de agendar. Por isso o Perfil da Empresa no Google (antigo Google Meu Negócio) costuma ser a primeira peça a acertar: nome, especialidade, endereço, horário, telefone e fotos do consultório, tudo igual ao que está no site e no Instagram. Perto do Hospital Regional da Asa Norte, o paciente costuma chegar de fora do bairro, um cenário tratado em marketing digital na Asa Norte.

Depois entram o site com uma página por especialidade ou procedimento e conteúdo que responde às dúvidas reais do paciente. É o trabalho de SEO local, que leva meses para dar efeito, mas não depende de verba diária. Anúncio pago em saúde também segue regras próprias das plataformas, e o conteúdo precisa respeitar as duas normas ao mesmo tempo: a do CFM e a política de anúncios do Google e da Meta. Um exemplo de como isso funciona em outra área da saúde está em tráfego pago para clínicas estéticas.

Como o médico deve usar o Instagram sem ferir a norma?

O formato que costuma funcionar é o educativo: carrossel explicando sintomas e quando procurar atendimento, vídeo curto respondendo a uma pergunta frequente, bastidor do consultório sem expor paciente. O objetivo é que a pessoa entenda o assunto e reconheça o médico como alguém que explica bem.

Um roteiro simples de quatro posts por semana:

  1. Segunda: mito e verdade sobre um tema da especialidade.
  2. Quarta: vídeo de 40 a 60 segundos respondendo a uma dúvida de paciente (sem citar caso real).
  3. Sexta: carrossel "quando procurar um médico" com sinais de alerta.
  4. Domingo: stories com a rotina do consultório e aviso de horários.

Quem faz o perfil precisa saber a regra. A gestão de redes sociais para médicos passa por revisar cada legenda contra o checklist de identificação, e muitas clínicas deixam o parecer final com o responsável técnico ou com o advogado.

RQE, curtidas compradas e "milagre": o que expõe o consultório

  • Esquecer o RQE. Correção: incluir o número em bio, site e peças.
  • Delegar tudo à secretária. O responsável pelo conteúdo é o médico. Correção: ele aprova antes de publicar.
  • Comprar pacote de curtidas ou depoimentos. Além de ser mau negócio, desrespeita as regras das plataformas.
  • Divulgar procedimento como "milagre". Correção: descrever indicação, limite e risco.
  • Ignorar a LGPD. Correção: consentimento por escrito, guardado.

Perguntas frequentes

Médico pode fazer anúncio pago no Instagram e no Google?

Pode, desde que a peça traga nome, CRM, a palavra médico e, se houver especialidade, o RQE, sem promessa de resultado. O anúncio também precisa cumprir as políticas de saúde da Meta e do Google. Confirme os detalhes no texto do CFM.

Qual resolução do CFM trata de publicidade médica?

A Resolução CFM 2.336/2023, publicada em 13 de setembro de 2023 e em vigor desde 11 de março de 2024. Ela substituiu a Resolução 1.974/2011. O texto completo está disponível no site do Conselho Federal de Medicina.

Médico pode divulgar o valor da consulta?

As análises da resolução indicam que a divulgação do preço da consulta passou a ser admitida. Evite formato de promoção agressiva e confirme com seu CRM, porque a interpretação e a norma podem mudar.

O que acontece se o médico descumprir a norma de publicidade?

A infração pode gerar processo ético-profissional no CRM, com penalidades previstas no Código de Ética Médica e na legislação do conselho. Por isso vale revisar o conteúdo antes de publicar e consultar um advogado de direito médico em casos duvidosos.

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